perguntei ao vento

quinta-feira, dezembro 10, 2015

Fazer uma sessão fotográfica com o Hugo Coelho era um desejo antigo. Conheci-o em abril de 2013, num casamento de conto de fadas e imediatamente percebi que estava na presença de alguém que, tal como eu, gostava de caminhar de mãos dadas com a arte. Quando trabalhamos com ele, os nossos sonhos adquirem um brilho incandescente. Engrandecem e tornam-se vividos, fulgurantes, eternos. Pulam no nosso coração num ritmo descompassado e eletrizante.

Antes de darmos início a esta criativa parceria, selecionei um conjunto de imagens de inspiração. Sorver o misticismo, a névoa e a transparência dos instagramers nórdicos era a premissa do nosso encontro. Para que vocês possam compreender este amor imenso que sinto pelas contas gélidas da Escandinávia, os meus olhos brilham sempre que os dedos deslizam pelo ecrã do smartphone e contemplo aquelas fotografias envoltas na bruma, que parecem convidar-me para um mundo de fantasia, ao estilo dos contos de Marion Zimmer Bradley e Juliet Marillier. Imaginei os cabelos ao vento, o vestido a esvoaçar ao sabor da brisa de outono, uma serra misteriosa em plano de fundo... Tudo aquilo que, à primeira vista, nos parece tão distante e inalcancável. Mas não é! E a prova disso são estes registos sublimes que o Hugo captou numa das zonas mais montanhosas de Sintra. Preparados para ficar sem fôlego? Sim, estas paisagens arrebatadoras são mesmo portuguesas.


Apesar do frio de enregelar os ossos, o sol espreitou por entre as copas das árvores e trouxe consigo uma indescritível luz alaranjada. Senti-me um verdadeiro pássaro de fogo a sobrevoar o Grand Canyon, uma Pocahontas em comunhão com a natureza e, uma alma cigana à procura do próximo destino para ser feliz. Sempre livre, leve e solta. E se há por aí amantes da música pop dos anos 90, certamente compreenderão que, por breves momentos, a minha mente afastou-se do norte da Europa e viajou até ao Arizona, estado norte-americano onde uma Britney Spears emancipada entoava o hit I'm not a girl, not yet a woman. Sem certezas na vida, mas a saborear cada novo amanhecer.

Também em mim há um vendaval de emoções e de personalidades. Não sei se esta inconstância reside no facto de ser Gémeos, mas a verdade é que gosto de imaginar que habito vários peles. Outrora encarada como um defeito, a singularidade desta imperfeição satisfaz-me. Aceitei-me como sou e aprendi a conviver com o meu lado lunar. Não encontro razão para o esconder; simplesmente deixo que ele se revele a seu tempo. Sem amarras, hesitações ou constrangimentos. Vivo a minha beleza, tal como me ensinou a Helena Magalhães (do blog The Styland).



Neste dia, deitei-me na relva humedecida, rasguei os collants nas sebes, entrei em locais interditos, escalei os imponentes rochedos da Serra de Sintra... mas fui feliz, tão feliz! Conhecem aquela sensação de estarem a criar arte apenas pelo simples facto de se desafiarem a vocês mesmos? O Hugo deixou-me ser abraçada pelo vento, rodopiar como uma fada da floresta e fechar os olhos para escutar os cânticos da natureza, esquecendo o mundo à minha volta. Foi a dança mais doce que já dancei. A andorinha que formou ninho no meu pulso nunca se sentiu tão livre como naquele dia. Blame it on my gypsy soul!


Não consigo deixar de demorar o olhar nos efeitos das fotografias. Não há vestígios de Photoshop ou sequer de entorpecimento. O encanto deve-se no seu todo à imaginação e ao talento infinitos do Hugo. A candura, a transparência e a espontaneidade da sua varinha mágica deixam-nos completamente desarmados. Não é de estranhar que a minha andorinha tenha tido ainda mais vontade de voar em direção ao céu. Por essa razão, fiz da letra da Asas, dos GNR, um dos meus lemas: "não há leis para te prender". Por circunstâncias sinistras da vida, as penas até podem cair, mas a verdade é que acredito que regresso inteira a cada nova estação do ano. No meu livro de esquissos, há várias páginas em branco; não porque almeje um reencontro com a incompletude, mas porque quero deixar espaço para escrever novas histórias. De raiz, intrínsecas, íntimas.

Great Expectations - Life in Mono


Grandes Esperanças... Durante a sessão, o Hugo confidenciou-me que um dos jardins mais bucólicos de Sintra (e que, infelizmente, é uma propriedade privada) lhe fazia lembrar a adaptação dos anos 90 do clássico de Charles Dickens. Mal ele sabia que esse é um dos livros da minha vida! Gwyneth Paltrow interpreta Estella Havisham com uma sensualidade desarmante e é através dela que conseguimos perceber que só é possível entregarmos totalmente o nosso coração a um espírito tão selvagem como o nosso.  

As sombras e o manto negro da escuridão fascinam-me, seja na literatura, na Sétima Arte ou na música. As arcadas deste lugar, nas redondezas de um dos miradouros ocultos da vila de Sintra, foi o cenário escolhido para cinzelar no tempo estas imagens mais sombrias, intensas e enigmáticas. Aqui fui Ophelia, a donzela misteriosa do quadro do pintor inglês John Everett Millais. Procurei que os cabelos soltos e o vestido longo parecessem estar à deriva nas águas do rio, de forma a contrastarem com o fundo tenebroso coberto de musgo, tal como na hipnotizante obra de arte que inspirou William Shakespeare e a peça Hamlet.


Se se sentiram inspirados por esta sessão fotográfica, então não deixem escapar a oportunidade de visualizarem o portfólio do Hugo CoelhoSite Blog | Facebook | Instagram.

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18 comentários

  1. Ohh que fotos fantásticas! O Hugo faz magia! E tu escreves tão bem...

    No entanto, devo dizer que, embora perceba a inspiração escandinava, a luz não engana: é do nosso Portugal :)

    Jiji

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    1. Tantas saudades tuas, Jiji!
      Vou passar a passagem de ano ao Porto. Estás por lá?
      Mil beijinhos

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  2. Amazing! Mas só podia ser esse o resultado vindo de vocês os dois. Beijos grandes

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    1. Obrigada, meu amor! Tu és a responsável por ter conhecido o Hugo.
      Um grande beijinho

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  3. A melhor sessão de fotografia que já fizeste.. A tua verdadeira essência Menina do Vento! Adoro-te milhões, para sempre ❤

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    1. A culpa é do Hugo! Ele fez-me brilhar.
      "Perguntei ao vento onde foi encontrar mago sopro encanto."
      Adoro-te, coisa boa. ❤

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  4. Que fotografias de cortar a respiração! Maravilhoso trabalho :)

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  5. Que fotos maravilhosas, Joana! Está tudo perfeito: tu, o cenário, a luz, a edição.... Um sonho. :)

    E a referência à Marion Zimmer Bradley e à Juliet Marillier fizeram-me sorrir. :D*

    Joan of July

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    1. Obrigada, baby girl!
      Quero fotografar novamente com vocês os dois.
      Beijo enorme

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    2. É? I'm down for it!! :D

      Estou a pensar que da próxima vez toda a nossa sessão podia ser analógica. O que achas? ;)

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  6. Fotos lindas! Texto fantástico. Estou rendida :)

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    1. Oh Madalena, fico tão feliz por teres gostado do meu cantinho. Espero que continues por cá. Visita-me sempre que possível. És muito bem-vindo.
      Um grande beijinho

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  7. As fotografias estão maravilhosas, mas sem o texto não teria sido o mesmo. Conduzes-nos por uma viagem a esse mundo e a todas as suas referências, fazendo com que olhemos para as fotografias de outro modo. As fotos são efectivamente excelentes, mas não teriam tido o mesmo impacto neste post sem o excelente texto! :)

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    1. Oh Ana, como é que só li estas palavrinhas mágicas agora? Nem sei o que dizer, pois tenho o coração a bater a mil à hora e os olhos molhadinhos. Fizeste-me tão feliz como o teu comentário. Adoro ter-te por cá. Beijinho enorme*

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