"After all this time? Always."

segunda-feira, janeiro 18, 2016


[via Tumblr]

Dias? Passaram poucos e até já lhes perdi o rasto. Não tenho razões, respostas, conclusões. O sentimento que se entranhou em mim aquando da notícia do desaparecimento físico do ator Alan Rickman permanece áspero e incompreensível; e parece ser irrevogável aos meus olhos. Era um ente querido? Não. Trocávamos elogios, partilhávamos segredos. havia um passado a unir-nos para todo o sempre, daríamos a vida um pelo outro? Não. Então, porque é que a recordação da sua partida é tão dolorosa? A tristeza consegue ser tão cinzenta. A saudade espraia-se, mas teima em regressar com a maré. Recordo com tamanha ternura a sua voz cavernosa, enigmática e profundamente sedutora. No lugar da sua ausência, ficam na história do cinema os inúmeros filmes que ajudou a engrandecer com as suas magistrais interpretações.

Estranhamente, as duas semanas que antecederam o seu falecimento foram vividas ao som de In Demand, eternizada pela banda da minha adolescência, os Texas. Eles que tantas vezes serviram de música de fundo para as minhas paixões fugazes e desamores. A letra da música, que, por vezes, ecoa em modo repeat nos meus pensamentos, recorda-me uma história que escolheu o passado como tempo verbal de narração, ainda que hiperbolize a vontade de viver um amor que arrebata o coração. Bem sabemos que as más escolhas de outrora podem conduzir-nos à vida que sempre sonhámos viver e, claro, à felicidade.

Ao contemplar a cena da bomba de gasolina, numa noite ao luar, não consigo evitar sentir uma pontinha de inveja (boa!) da Sharleen, do seu poder de sedução e daquele vestido negro, da cor da noite, de costas ao vento. A forma como Alan abraça, olha, deseja e ama a mulher fatal que serpenteia ao seu redor deixa-me completamente sem fôlego, com vontade de gritar o meu bang bang a plenos pulmões. Eras tão perfeito...

Quero prolongar-te no tempo. Posso? Deixas? Até sempre, Severus Snape, Sheriff George of Nottingham, Judge Turpin, Blue Caterpillar, Colonel Brandon e Hans Gruber!

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1 comentários

  1. Bonita homenagem ao Alan Rickman, Joaninha! Foram três ídolos meus (e de tanta gente) que morreram de seguida (Lemmy, Bowie, Rickman), mas também muitas outras pessoas conhecidas ou queridas a amigos meus. As más notícias continuam a chegar, mas a da morte do Alan Rickman atingiu-me em cheio.
    Ainda há semanas andei a rever os filmes do Harry Potter e fez na quarta-feira passada (um dia antes da notícia) duas semanas que fiz uma tatuagem inspirada pelos livros do HP.

    Nunca me vou esquecer da primeira vez que ouvi a voz do Alan Rickman como Severus Snape com aquele característico tom sombrio e pausado sempre que dizia "Mr. Potter...". Quando era miúda até me dava arrepios; isto bem antes de saber que o Snape era, afinal de tudo, um herói.

    Alan Rickman também não era da minha família nem trocávamos sequer palavras, mas já deixou saudades... ;(

    Joan of July

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