Off The Record por Miguel Oliveira


[© Todas as fotografias por Miguel Oliveira]

"What’s the greatest lesson a women should learn? That since day one, she’s already had everything she needs inside herself. It’s the world that convinced her she did not". Esta citação de Rupi Kaur apareceu no meu feed de Instagram há meia dúzia de dias e a verdade é que desde então ela se entrelaçou aos meus pensamentos com uma força vulcânica. Sim, a magia nasce connosco, percorre as vielas do nosso corpo, ramifica-se nas artérias do coração e nunca, nem por um só segundo, nos abandona; mora sempre dentro de nós, aconchegada no seu ninho. Basta-nos libertá-la... Como? Não há fórmulas ou segredos. Mas a nossa transformação interior encarrega-se de ser o nosso farol de esperança.


Os meus 27 anos trouxeram consigo uma nova consciência de mim mesma; tudo o que precisei foi de ajustar as velas do meu navio, para navegar sem âncoras e ao sabor do vento. Aceitei a mulher que habita o meu corpo, aprendi a valorizar as minhas conquistas, a renegar as energias negativas e a sentir-me grata pelo meu espírito livre, descobri as minhas armas de empowerment e perdoei todas as vezes em que fui, de alguma forma, indelicada com o meu coração. Não consigo precisar no tempo o momento em que tudo mudou; simplesmente encarei de frente a heroína da minha histórica, aquela que esteve presente durante toda a minha existência, mas à qual eu parecia negar o protagonismo: eu. Sobrevivi a um dos mais duros golpes na minha auto-estima, mas continuo aqui, a respirar. Estou viva, o mundo não acabou e eu renasci. Fiz as pazes com o passado, libertei os demónios e, em grande medida graças ao mindfulness, aprendi a saborear o momento presente. Comecei a praticar pilates, yoga, stretch e trx, criei uma atmosfera intimista nas divisões mais visitadas da minha casa, passei a meditar antes de adormecer e ao nascer do sol, a pulverizar a almofada com uma essência de camomila e alfazema, e a acordar com um sorriso no rosto. Sinto-me grata pela vida que escolhi viver e por cada novo amanhecer. Gosto demasiado de conhecer pessoas inspiradoras, de ser surpreendida na rua por um desconhecido e de ajudar a concretizar sonhos.


O Miguel Oliveira, portuense de gema e autor das fotografias que ilustram esta publicação, entrou de mansinho no meu mundo. Conheci-o no final do ano passado, na apresentação do livro O Princípio, do Dani Rodrigues, na Fnac do Chiado. Terminámos a noite a jantar no Bairro Alto e, desde então, já trabalhámos juntos duas vezes. Entrevistei-o para uma revista e ele fotografou-me para o projeto dele, o inspirador Off The Record. Retratos íntimos a preto e branco compõem o seu portfólio; a rebeldia e ousadia, mas também a quietude e a paz da alma feminina esvoaçam nas suas imagens. A ele devo um agradecimento gigante por me ter desarmado; deixou-me ouvir na íntegra o álbum Wallflower, de Diana Krall, enquanto pousava para a sua objetiva. Um bem-estar instalou-se dentro de mim e eu deixei-me envolver no seu hipnotizante poder. O templo fluía e os disparos da câmara aconteciam com uma espontaneidade assombrosa. Deixei as sombras enamorarem-se pela luz natural, soltei os meus movimentos e senti-me sedutora sem malícia. O resultado final deixou-me emocionada e de coração cheio.


A nossa sessão teve lugar no Nice Way Hostel, em Sintra, espaço que nos acolheu da melhor forma possível. Foi na imensidão da vila-feiticeira que nos perdemos. O Miguel procura a naturalidade do nosso corpo e a perfeita imperfeição do nosso interior, que tantas vezes se esconde por baixo de um manto invisível. Não há espaço para vazios e podemos dar a conhecer todos os espelhos do nosso quarto escuro. Há fulgor e há fascínio quando mergulhamos nos seus registos fotográficos. Tímidas, delicadas, feéricas, esplendorosas e sublimes, assim são as mulheres que este criativo de 24 anos eterniza. E a sua energia inesgotável contagia e cativa as suas modelos. É um prazer trabalhar com ele!

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Fiquem a conhecer o trabalho do Miguel Oliveira e o projeto Off The Record Stories em:

4 comentários:

  1. Foi através de ti e desta tua sessão fotográfica que fiquei a conhecer o projecto Off the Record do Miguel Oliveira e rendi-me completamente... Adoro o preto e branco e a atmosfera intimista e descontraída que ele consegue captar em todos os retratos e todas as sessões de que se compõe o Off the Record.

    Estão os dois de parabéns! :D**

    Joan of July

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    1. Obrigada, minha querida! O Miguel é talentoso e uma alma bonita.
      Um beijinho enorme

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  2. Não bastava as fotos serem intimamente maravilhosas, como o texto é uma inspiração. Não só pelas palavras cheias de força e paz, como pelas descrições, é inspiração prática e concisa. Fantástico este post!

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    1. Oh, doce Raquel. Para além de partilhares o nome com uma das minhas primas, conseguiste aconchegar o meu coração com essas tuas palavras mágicas. Estarei sempre aqui deste lado, para mostrar a todas as mulheres que elas carregam uma força vulcânica dentro delas.

      Mil beijinhos*

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