inspiração de Instagram | Halle Berry

terça-feira, agosto 09, 2016


Escrevo-vos nas páginas do meu caderno de viagens, a sentir a brisa do vento e o odor a maresia. Estou sentada numa rocha do Portinho da Arrábida, envolvida pelo fresco da sombra e acompanhada por um leve vestido azul celeste, uma água aromatizada, o livro 100 Mandamentos para a Felicidade (de Marta Davies Martens) e da minha Montblanc.

Deixem-me partilhar convosco um segredo: ainda em criança, herdei da minha mãe o gosto pela leitura. Cresci rodeada de estantes, demasiado grandes para o meu tamanho, repletas de livros até ao topo; era frequente verem-me a ler a um canto da casa ou à beira-mar durante as férias de verão no Meco. Este amor imenso que tenho às palavras cresce a olhos vistos, por isso não consigo mesmo sair de casa sem um bloco de esquissos e A Caneta, com os quais cinzelo as minhas histórias nas esquinas do tempo. 

Sempre sonhei ter uma Montblanc, talvez porque, na minha ingenuidade, acreditava que os espíritos de Ernest Hemingway ou de Silvia Plath pudessem descer sobre mim, permitindo-me criar uma verdadeira obra de arte literária. E foi na minha viagem à Régua (que puderam acompanhar através do Instagram, mas que será um pretexto para uma inspiradora publicação), que o meu primo em segundo grau me presenteou com a peça que faltava no meu kit de escritora; e é através da sua magia que tenho dado vida aos textos do blogue.

[© Halle Berry (Todas as imagens)]

Portanto, aproveitando a dose de inspiração que se apoderou recentemente de mim, dou, hoje, início, à rubrica "Inspiração de Instagram", que todas as segundas-feiras marcará presença aqui, no Às Cavalitas do Vento. Talvez por estar a escrever-vos rodeada pelo verde das árvores e pelo azul do mar, a minha primeira escolha tenha recaído sobre a conta da atriz Halle Berry. Ela é, aos meus olhos, uma das mulheres mais sublimes da Sétima Arte. 

Não me recordo de alguma vez a ter visto demasiado maquilhada. Não precisa, sejamos sinceros: a pele aveludada e bronzeada pelo sol, o sorriso cativante e genuíno, a discrição e a elegância com que pisa a passadeira vermelha, os olhos cor de avelã, tornam-na deslumbrante.


Quando contemplamos as fotografias que compõem a sua galeria, é inevitável não pensarmos no vídeo da música All Good Things, de Nelly Furtado, na inocência de Brooke Shields no clássico do cinema A Lagoa Azul, nas performances de Ana Medienta ou na nova princesa da Disney, Moana. Os tons acastanhados ramificam-se, respira-se natureza, o mar entra-nos pelo corpo adentro, o vento amarra-se à alma. Ela é terra, fogo, água, ar, tudo num só grito. 


De alguma forma, desejamos que a sua quietude nos apazigúe numa enchente. Sonhamos com uma casa de estilo campestre, com alpendre e águas furtadas, no cimo de uma colina, com vista para a imensidão do mar e para um jardim florido. Imaginamos uma chávena de um chá exótico a aquecer-nos as mãos, os cortinados a esvoaçar ao sabor do ar, o gato a ronronar ao nosso colo, naquela cadeira de baloiço especial, a pedir só mais um cafuné.


A verdade é que dou por mim a almejar viver dentro do universo mágico de Halle Berry. A razão? Bem, não há qualquer descontentamento no meu mundo; tudo pode ter um final feliz (apesar de eu preferir os inícios e as metades das laranjas). Mas estão a ver aquela ampulheta que queremos congelar, para perdurarmos naquele instante só mais um pouquinho, porque ele não é mais do que um rasgo de tranquilidade? É tão isto. Beber desta luz que os pequenos prazeres da vida nos proporcionam. Sem pedir nada em troca.

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Curiosamente este é o mês dela, pois faz anos no próximo domingo, 14 de agosto.

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