no Ninho do Vento só o bem entra


"We make memories of gold. Our memories of gold to have and to hold", cantaram Ellen e Ben Harper no álbum Childhood Home. Quando nos mudámos definitivamente para o Ninho do Vento, uns dias após o meu (des)aniversário, prometemos que iríamos sorver a vida à boleia deste mantra. 

Hoje partilho convosco o primeiro capítulo desta história de amor imenso por um T3 perto do Palácio de Queluz e os detalhes que se tornaram tão nossos. A aventura de viver a dois teve início no dia das ilusões, a 1 de abril de 2017. Eu e o Gonçalo já tínhamos percorrido páginas e páginas virtuais de todos os sites de compra e aluguer de casas, mas demorámos a agendar a nossa primeira visita presencial. Dias antes de partirmos rumo a Melides, com destino ao alojamento de turismo rural Uva do Monte, demorámos o olhar num terraço pintado em tons de amerelo pastel [para quem não sabe, o amarelo e o verde são as minhas cores favoritas] e com uma vista desafogada para uma imensidão de verde. Adicionei o link ao Pocket e fiquei com aquela imagem a esvoaçar nos meus pensamentos. Regressámos a Lisboa e acabei por confidenciar ao Gonçalo que sentia que aquela casa seria pintada com as cores do vento. Combinámos uma data, o famoso Dia das Mentiras, e partimos com destino às terras de D. João VI.

[Ah, um parênteses: eu sempre disse que nunca escolheria esta zona para viver, a não ser que fosse o meu Bairro do Chinelo. Cresci, estudei, namorei e fui ginasta acrobata na zona, por isso queria distanciar-me do passado. Mas nós gostamos sempre de mexer no destino e virar a nossa sorte de pernas para o ar. E eu só tenho a agradecer ao cosmos por este empurrão.]

À medida que avançávamos pelos corredores vislumbrava o nosso futuro naquela casa-farol. Os risos, as ideias a fervilhar com DIYs, as brincadeiras de um gato que ainda só existia nas vielas da imaginação. No próprio dia tomámos a mais desafiante decisão das nossas vidas: ficar com o T3, apesar da renda ser ligeiramente mais elevada do que o valor que tínhamos classificado como sendo "seguro". Uma semana depois estávamos a assinar um contrato de 18 meses no Restelo e a ser os novos guardiões das chaves.

A fase seguinte tornou-se a minha predileta: a decoração. Quem acompanha a minha conta de Instagram, @ascavalitasdovento, sabe que descobrimos tesouros preciosos no OLX. Fizémos inúmeras Stories, para documentar as nossas odisseias de norte a sul do país, sendo que a mais hilariante foi criada em torno da estante de bambu, que fomos buscar a uma mercearia de bairro, em Camarate, na carrinha do meu sogro.

Entrada na floresta


hall é espaçoso e cheio de luz. A estrela desta divisão é o móvel vintage, em branco envelhecido, que trouxemos de Cascais, assim como o candeeiro de mesa. A cadeira de criança em verga foi uma das nossas primeiras aquisições do OLX (a sua morada anterior era uma loja de velharias com histórias felizes); tem agora um lugar de destaque ao lado da porta e encontra diariamente aconchego numa almofada boho. 


Na entrada apostámos em tons de branco, castanho e verde, para oferecer aos nossos convidados a experiência de um safari pela selva. A minha mãe ofereceu-nos o porta-cartas e as tigelas para as chaves, que tanto fazem lembrar taças tibetanas. O alce é uma das minhas peças favoritas do Ninho do Vento: descobrimos nos saldos de inverno d' A Loja do Gato Preto, quando começámos a pensar no nosso enxoval. Prenda da Ana Paula, do Eléctrico 28, a caminha do Nicks compõe o cenário de floresta. O nosso retrato a carvão foi desenhado por um amigo do meu John Smith, a partir de uma fotografia da nossa sessão na Praia da Ribeira do Cavalo, com o Hugo Coelho; e a mini-estante da Dear Macramê é um amor que balouça ao sabor da quietude do campo. 

Sala de estar


A sala está virada para o nosso soalheiro terraço e, pela manhã, veste-se da luz mais especial que já contemplei. Nas paredes, há quadros de gatos e de filmes do coração, do Big Fish ao Eternal Sunshine of The Spotless Mind (uma ilustração da Mariana Cárceres). A nossa mesa da televisão, o candeeiro de teto e o louceiro foram adquiridos através do OLX (posso adiantar-vos que estão novinhos em folha e que não gastámos mais do que 100 euros), mas a nossa mesa de centro, feita a partir de um tronco de árvore, é a nossa recordação de Melides. 


O sofá foi um caso de love at first sight, no site do IKEA. Em loja pareceu-nos ainda mais deslumbrante, com os seus pés em madeira e o design tipicamente escandinavo, por isso teve de vir connosco - os meus pais são os melhores do mundo! A Playstation do Darth Vader, a Nintendo NES, as séries da Netflix e a nossa coleção de livros inspiradores têm sido as nossas companhias noturnas, quando terminamos a lide doméstica e os afazeres das nossas profissões extra. Um dos meus pormenores preferidos: o vaso da Flying Tiger pendurado à janela. 


Temos flores campestres, orquídeas e ervas aromáticas espalhadas pela casa, mas é sobretudo nesta divisão que elas florescem, coroadas pela mensagem mágica da doce Susana, do projeto Feliz É Quem Diz, num quadro de ardósia: Aqui mora o amor

 
Eis o móvel pelo qual as minhas brisas suspiram. Acreditam quando vos disser que uma relíquia destas custou apenas 30 euros? É verdade! E sabem que mais? Esta preciosidade estava bem pertinho do meu escritório. É hoje suporte da nossa coleção de canecas medievais e de garrafas de cerveja - não bebo, mas não resisto às embalagens das Musa e das 8ª Colina. Até já demos abrigo a uma tal de Urraca Vendaval. Foi ainda por aqui que a edição mais apaixonante da Flow encontrou poisio (as ilustrações da capa são uma homenagem a Frida Kahlo). Lembram-se da peça que a minha tia Judite criou de propósito para o nosso ninho? Está por ali, no canto superior esquerdo, ladeada pelo relógio-andorinha d' A Loja do Gato Preto, pelas flores de Campo Maior e pelos livros do bem.

Cozinha 


Chegámos agora à divisão à qual dediquei mais tempo e atenção: a cozinha. E o que têm em comum o livro Anita na Cozinha, a cozinha da Filipa Gomes no Prato do Dia e a Sofia Castro Fernandes, do Às 9 no meu Blog? É que estes três elementos iluminaram a minha alma para este projeto criativo. Optei por detalhes rústicos, uma paleta de tons terra e materiais naturais. Aliás, no nosso cantinho podem encontrar talheres artesanais feitos a partir de bambu e de casca de coco, da Rust and May. Reciclamos potes em vidro para poupar no investimento, apostar em projetos artísticos de DIYs e preservar o meio ambiente. 
 

Gosto tanto quando o Gonçalo me abraça de manhã, me sussurra ao ouvido o quanto gosta de mim e me conduz até aos primeiros raios de sol que chegam de mansinho à cozinha. Sento-me no banco de madeira, fico inebriada pelo cheiro a tomilho e a alecrim, e observo-o sem ele se aperceber. Ele está de costas, a preparar-me o café-cura-olheiras-de-panda, enquanto eu preparo a nossa marmita e, cuido da nossa família de catos e de suculentas.


No seu todo, esta ode à natureza traz-nos a calma, o aconchego, a frescura, a tranquilidade e a atmosfera do campo. Graças à Chufamix podemos preparar bebidas vegetais caseiras e tornar os nossos pequenos-almoços mais saudáveis. Há algo na nossa cozinha que me remete para a Costa Vicentina e para o por do sol à beira-mar; conseguem sentir o mesmo através das fotografias? 



A bancada em madeira do IKEA permite-nos ter expostos os livros de culinária e a loiça vintage, das tigelas Bordallo Pinheiro às chávenas de chá da minha avó Tília. A boleira-andorinha tem lugar cativo no meu coração e costuma aconchegar os scones da minha afilhada (que agora é também nossa vizinha). Aquela caneca castanha acompanha-me desde criança; fez-me as delícias durante as minhas férias de verão no Meco e testemunhou o meu primeiro passeio à beira-mar com o Gonçalo, sob a luz das estrelas.

Terraço 



A cozinha tem ligação direta para o nosso amplo terraço. Ainda estamos em processo de adição de particularidades únicas, mas confesso-vos que já nos sinto extraordinariamente adiantados, em grande medida graças ao apoio incondicional dos meus pais. Já temos uma mesa romântica em madeira, encostada ao parapeito da janela da sala, para usufruirmos de um jantar à luz das velas, numa noite quente de verão, embalados pelas melodias da Smooth FM que ressoam no nosso rádio rétro. Todas as manhãs, o Gonçalo rega a nossa horta biológica com todo o carinho que me tem, para que ela cresca vivaz. Plantámos cenouras baby, tomates, pimentos, cebolas, piri piri, limões, framboesas, morangos, tomilho, manjericão, stevia e hortelã.

Quarto


O quarto é a harmonia do Ninho do Vento. Inspirado na savana africana, na praias do Havai e nos frames do videoclip de Malibu, de Miley Cyrus, esta artéria pulsa de garra e de boas vibrações. 

Esta é a minha coleção completa de vestidos e de macacões. Fluída, leve e simples. Cabe num charriot, no nosso quarto-árvore; é tronco e ramo de uma infinitude de estórias felizes. Para alguns podem ser meros trapos, mas, para mim que sou filha de um retroseiro, neta de uma cerzideira e bisneta de uma costureira, os botões, as linhas e os remendos caminharam entrelaçados à minha pele durante todos estes anos. Um cabide, um galho, um sorriso que engradece e brilha fulgurante. Nas peças vintage há recordações de outros destinos; e o tempo, esse cronos e kairos do calendário, fê-las viajar para junto de mim. Há lembranças de passeios à beira-mar, de beijos roubados na ombreira da porta, de passagens pel' A Outra Face da Lua. Nesta minha Oliveira as modas não se demoram, só os sonhos ficam; sim, só mesmo eles é que podem ficar.


Temos o mundo à cabeceira - ou melhor, em dois mini-escadotes do IKEA. Do meu lado não podem faltar as leituras diárias, uma embalagem de bálsamo labial Carmex, um creme de rosto orgânico da Essência Nativa (a loja do marido da minha Margarida, do Leves e Ausentes), um frasco de óleo de alecrim e um spray de alfazema para borrifar a almofada. Os candeeiros de mesa, em forma de flor, casam na perfeição com a nossa colcha, fazendo lembrar herbários em tamanho real.


A estante-cabana-de-índia-Pocahontas é o móvel que mais faz jus ao meu espírito livre e primaveril. É neste cantinho que tocam os meus vinis de Fleetwood Mac, de Kate Bush e de Juice Newton, que aninho as minhas versões dos livros The Secret Garden e Petter Rabbit, que repouso as minhas câmaras analógicas e instantâneas, e as minhas coroas de flores. 



Os padrões florais dos tecidos, as andorinhas, o cheiro a velas tropicais e o mosquiteiro permitem-nos viajar para o continente das raízes profundas e do chão que se quer arenoso, ainda que vulcânico na sua cálida essência. Vai uma viagem pelo continente africano?

Closet



Como ainda não temos crianças transformámos a divisão mais pequena da casa-farol num closet. Foi talvez o espaço mais difícil de decorar, porque tínhamos um orçamento reduzido, que não nos permitia investir em guarda-vestidos com arrumação suficiente para os nossos casacos mais volumosos. De início não imaginámos nada daquilo que é hoje o nosso quarto de vestir, mas posso confessar-vos que ficou ainda mais perfeito do que aquilo que eu sonhei para nós. No OLX encontramos dois armários brancos por 120 euros (60 euros cada um), na zona de Moscavide. Fizemos negócio com um casal super simpático, que se prontificou a desmontá-los, para facilitar o transporte até à nossa zona. Inspirada pela minha galeria do Pinterest, Dream Home, retirámos as portas aos guarda-fatos; assim torna-se mais prático visualizar o outfit do dia seguinte. No centro temos espaço para engomar, mas também para meditar. 

Como podem ver pendurei os meus kimonos na parede, num suporte super feminino do Lidl, reuni as minhas almofadas de praia Maria Cenoura e organizei as peças de inverno por cores numa estante branca do IKEA (que adquirimos por 20 euros, em ótimo estado no OLX). 

Biblioteca


Tal como prometido termino este primeiro capítulo com a história desta dupla-estante vintage da nossa biblioteca particular. No Instagram lancei as seguintes pistas: Anos 70, o calor de África, um homem de cabelos grisalhos e de memórias magnetizantes, uma viagem a Lisboa numa carrinha desconjuntada, uma construção morosa, mas recompensadora. Este móvel foi dos primeiros que reservei no OLX, porque me apaixonei perdidamente pela fotografia que o ex-proprietário colocou online; estava banhado pela luz de final de dia e o castanho tinha adquirido aquele tom acobreado pelo qual me costumo enamorar.

O processo de agendamento da visita foi moroso. No entanto, graças aos telefonemas que troquei com o vendedor, percebi rapidamente pela voz que tinha encontrado um daqueles avozinhos queridos dos desenhos animados. Chegámos à Avenida das Forças Armadas numa manhã quente de sábado e fomos recebidos por um semblante bonacheirão dos contos de encantar. Parecia-me solitário, mas com uma miríade de sonhos na algibeira e uns olhos cor de mel magnetizantes; era impossível não gostar dele. Tratou-me como se fosse sua neta e, no final, ainda nos deixou trazer a estante por apenas 30 euros. Disse-nos: "A mim o dinheiro não me fará mais feliz, mas a vocês desejo um futuro radiante. Nunca se separem, sim?". 

Prometemos.

Desejo-vos um fim de semana encantador, brisas.

14 comentários:

  1. Tão bonita a decoração da casa, muitos parabéns :D

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  2. Que bom de ler, Joaninha :) isto de construir o nosso próprio espaço é uma aventura - e é uma que espero enfrentar em breve, de coração cheio e com tanto amor como vocês. O vosso ninho está a vossa cara :) e que seja sempre um ninho muito feliz!

    Jiji

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    1. Obrigada, minha Joaninha.
      A ti desejo toda o amor e inspiração para esta fase tão bonita que é a decoração de um lar. Vive a experiência ao máximo, mas deixa que seja um work in progress.
      Um enorme beijinho

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  3. Uauuuu que amor <3 amei! Bjoooss

    www.falacah.com

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  4. o vosso ninho do vento é absolutamente encantador. dá gosto ver tanto amor espalhado por cada recanto da vossa casa que conta bonitas histórias :)

    Vânia
    Lolly Taste

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    1. Tens mesmo de fazer-nos uma visita, sis.
      Com direito a chá de hibisco e bolinhos saudáveis. ❤

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  5. Este vosso cantinho está absolutamente amoroso. E cada peça única que conseguiram realça ainda mais o amor que têm pelas vossas coisas e colecções. Parabéns!

    Lena's Petals xx

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    1. Que comentário tão bom de ler e reler.
      Mil obrigadas, doce. Aqueceste-me o coração.

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