como seria a Galadriel de J. R. R. Tolkien de hoje


«Gilly: If life is so bad, how come you’re so happy?”
Maime Trotter: Did I say bad? I said it was tough. 
Nothing to make you happy like doing good on a tough job, now is there?»

Oh, Sophie... Por onde começar? Esta talentosa atriz canadiana de 17 anos arrebatou o meu coração em em 2014, com a sua candura e fulgor no papel de Liesel Meminger, na adaptação cinematográfica do livro de Markus Zusak, A Rapariga que Roubava Livros. Em A Fabulosa Gilly Hopkins, Nélisse volta a ser uma rapariga desajustada, sem um lugar ao qual possa chamar lar ou uma mãe biológica que prolongue no tempo a intensidade de um cordão umbilical. 

Quando a segurança social lhe apresenta a sua nova e peculiar família de acolhimento - composta pela cristã roliça e de maçãs do rosto ruborizadas Maime Trotter (interpretada pela killer queen Kathy Bates), pelo pequeno e meigo W.E. (Zachary Hernandez fez-me chorar em todas as suas cenas) e pelo vizinho invisual Mr. Randolph (o consagrado ator Bill Cobbs) -, a indomável feiticeira Galadriel, ou Gilly, revela a sua faceta espalha-brasas e faz com que a palavra "sarilhos" passe a ser o seu nome de código. 

Esta menina-furacão tudo faz para asfixiar o ímpeto da sua inteligência nas aulas de matemática de Ms. Harris (a inigualável Octavia Spencer, que me conquistou com a sua genuidade e fibra em filmes como The Help e Gifted) e evitar laços afetivos com a persistente Agnes, uma das suas colegas de escola. Para acalmar o fervilhar da sua revolta contra o mundo, contempla a única fotografia da sua ausente e gélida mãe (Julia Stiles está irreconhecível e apática). 

A páginas tantas, o rochedo que se formou no seu corpo começa a sofrer um processo de erosão que termina com o nosso olhar colado ao ecrã, já mergulhados numa impetuosa torrente. É nesta altura que Glenn Close, a Nonnie-surpresa de Gilly, ressurge em todo o seu esplendor, qual Cruella Virtuosa (não fosse Stephen Herek, o realizador desta obra-prima, a mente por detrás de 101 Dálmatas).   

Quando chegamos ao final desta longa-metragem sentimos uma vontade incontrolável de abraçar aquela família emprestada (porque também nos é a nós, espetadores), sem quaisquer cerimónias ou paninhos quentes, e dizer-lhe que tudo ficará bem; porque a verdade é que não existem finais felizes, mas dias em que as narrativas que se fazem nossas têm guiões pincelados de instantes de luz. 

 

A Fabulosa Gilly Hopkins
Título original: The Great Gilly Hopkins
Filme baseado no livro homónimo de Katherine Paterson
Realização de Stephen Herek
Com Sophie Nélisse, Kathy Bates, Glenn Close, Octavia Spencer, Julia Stiles, Bill Cobbs, Billy Magnussen, Zachary Hernandez, Clare Foley

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